segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Artista tenta resgatar cerrado que existiu em São Paulo

Onde a maioria das pessoas vê um terreno baldio cheio de mato, o artista plástico Daniel Caballero, 42, enxerga resquícios de uma São Paulo pré-concreto.
"Muita gente pensa que a vegetação aqui era só de Mata Atlântica, mas predominavam campos, ou seja, havia cerrado", argumenta. "Aqui tinha um pantanal, provavelmente até com tuiuiú, igual ao Pantanal mato-grossense."
Há oito meses, ele anda por terrenos da metrópole em busca de plantas para compor o 'Cerrado Infinito', uma trilha de 50 metros que começou na Praça Homero Silva, conhecida como "Praça das Nascentes", no bairro da Vila Madalena, na zona oeste da cidade.
Há desconhecimento sobre o que foi o cerrado paulistano, uma vez que a paisagem foi sendo substituída por árvores "importadas", chamadas de exóticas, explica Daniel.
A Prefeitura de São Paulo mapeou 650 mil árvores nas vias públicas e nas cerca de 5 mil praças da cidade. De todas elas, apenas 477 são exemplares de ipê branco, a única classificada como árvore do cerrado pelo órgão.
Nas vias e praças de São Paulo, a maior parte das árvores é exótica (62%) e apenas 37% são nativas ─ retrato de uma época em que não havia consciência de que plantas exóticas podem se tornar pragas e roubar espaço, nem de que as nativas oferecem recursos para os animais locais, como beija-flores e abelhas.
Pouco se sabe sobre a vegetação que existia em São Paulo. Segundo a bióloga Elza Guimarães, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), acredita-se que a cidade era coberta por vegetações diversas, incluindo áreas de formações mais abertas (cerrado), entremeadas por Mata Atlântica, florestas com pinheiros e vegetação ribeirinha às margens dos rios e áreas de brejo.
Poucos naturalistas visitaram São Paulo quando ainda existia a cobertura original, já encontrando a vegetação bastante adulterada.

Terrenos baldios e mutirão

Para seu projeto, Daniel se veste de "explorador" e visita terrenos baldios e margens de avenidas, locais que, por não serem alvo de especulação imobiliária, podem abrigar espécies escondidas ─ inclusive de plantas do cerrado.
A partir de pesquisas em livros de botânica, ele desenha ou fotografa os exemplares escolhidos e recolhe alguns deles, para serem replantados.
Desde que começou a desenhar, na infância, foi incentivado por seu professor a desenhar plantas e, aos dez anos, ganhou um livro do pintor alemão Johann Moritz Rugendas (1802-1858), que ilustrou expedições pelas Américas no século 19.
A exemplo dele, Daniel está montando um catálogo com 70 plantas da praça na Vila Madalena. Esses desenhos e informações sobre as espécies estarão disponíveis em breve para quem visitar o local, podendo acessá-los por meio de Código QR.
Todo sábado, às 10h, o artista está lá perto de uma formação rochosa e algumas árvores retorcidas que considerou ideais para fazer renascer o cerrado paulistano.
No início, trabalhava apenas acompanhado da namorada, a arquiteta Mariana Andrade Prata. Mas a iniciativa cresceu e hoje ele recebe ajuda de voluntários.
Além de ajudar a plantar, um deles, por exemplo, se ofereceu para fazer o site do projeto.
O artista Lúcio Tamino plantou cerrado em sapatos e deixou a obra na praça. Outra artista, Letícia Rita, instalou caixa de sons para trazer de volta o piar de um pássaro noturno raro. Já o grafiteiro Júlio Barreto ilustrou lobos-guarás na praça e numa escadaria próxima.
"É um trabalho relevante não só para a cidade, como para as pessoas que vem aqui e pensam 'que monte de capim é esse?' Chama atenção para espécies nativas do país", defende Barreto.

Borboletas

Além da nova diversidade de plantas da praça, com flores diferentes, já é perceptível o aumento da visita de borboletas, abelhas e outros polinizadores.
Edegar Bernardes, biólogo, visitou o local e ficou impressionado com as espécies encontradas por Caballero. Entre elas, cita a fruta-do-lobo ou lobeira, um arbusto com flores roxas e frutas esverdeadas. "O nome faz lembrar que o lobo-guará existia em São Paulo, alimentava-se desse fruto e dispersava as sementes", diz.
A pequena árvore de araçá-do-campo, que deu nome ao cemitério e ao Caminho do Araçá, atual avenida Consolação, também é cerrado. Outra planta é a língua-de-tucano, erva ornamental com folhas verde claras que lembra o formato da coroa do abacaxi.
Na praça, também são encontradas as chamadas PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), que as pessoas foram deixando de comer por causa da padronização da indústria, segundo o colaborador Guilherme Ranieri, gestor ambiental.
São comestíveis os frutos das orelhas-de-onça, do murici, e as hastes florais do capim assa-peixe e dos gravatás.

Cerrado na zona leste


Ele planeja espalhar o 'Cerrado Infinito' por locais da capital, e um já está em construção na Escola Jardim das Camélias, na zona leste, em uma área de vulnerabilidade e realidade social bastante diferente daquela da Vila Madalena.
Daniel foi convidado pela artista e arte educadora Sílvia Maria Garcia, 38, para conversar com alunos, que ajudaram no plantio das espécies.
Para ele, trazer essa nova vegetação é uma "descolonização" da paisagem.
"Plantar o que tinha aqui antes de todo esse processo (de urbanização) é fazer uma tábula rasa, de apagar para permitir escrever de novo. O objetivo é que as pessoas saiam da cidade, voltem no tempo, criem uma intimidade com essas plantas, comecem uma cultura nova", explica.
Acima de tudo, porém, ele diz se tratar de um "trabalho de arte", mais do que uma preocupação em salvar o ecossistema. "É um trabalho simbólico, com a única utilidade de reflexão, de questionar nossa história. Espero que daqui a um tempo vire terreno baldio, vire selvagem, um refúgio para plantas e animais e haja uma lei 'não podemos podar o Cerrado Infinito'."
A Prefeitura não foi comunicada sobre o trabalho na praça da Vila Madalena, o que Daniel considera fazer parte do perfil de ocupação da obra artística, e o 'Cerrado Infinito' tem sido respeitado pelo órgão público nas podas recentes.
A praça tem outros trabalhos de recuperação por parte de voluntários, como o lago cuidado pelo coletivo Ocupe e Abrace.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Liminar libera serviços da Uber na cidade de São Paulo

A Uber conseguiu uma vitória jurídica nesta terça-feira, 2, na cidade de São Paulo. Ameaçada explicitamente pelos taxistas da cidade, a empresa obteve uma liminar que permite que seus motoristas continuem oferecendo seus serviços na cidade, mesmo sem a regulamentação proposta pela Prefeitura estar em vigor.
Segundo o documento, a ação contra o funcionamento do aplicativo na cidade “impediria o exercício da liberdade constitucional de empreendedorismo privado”. Portanto, a empresa deve continuar funcionando normalmente, pelo menos até que haja outra decisão contrária.
A decisão liminar, obtida no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, reafirma à Prefeitura a tarefa de regulamentar e fiscalizar a atividade, mas não permite que os veículos sejam apreendidos por não seus motoristas não serem oficialmente taxistas como acontece frequentemente.
Os próprios taxistas são citados na decisão, assinada pelo desembargador Fermino Magnani Filho. Segundo ele, há “inequivocamente, de parte dos antagonistas, motoristas de táxis “tradicionais”, pretensões monopolistas, temor à concorrência, o repúdio ao convívio com esse novo serviço, movimentos paredistas em vias públicas (em prejuízo da normalidade urbana). E no extremo, violências físicas.”
Regulamentação a caminho
A prefeitura de São Paulo já deu a entender que quer liberar o funcionamento da Uber, propondo algumas normas para que o app mantenha a sua operação. A proposta de decreto do prefeito Fernando Haddad (PT), que está em período de consulta pública, liberaria os motoristas da empresa (e outros serviços similares) se apoiando na compra de créditos para circulação pelo viário da cidade.
A Uber já se mostrou favorável à ideia, e há rumores de que outras empresas poderiam adotar o mesmo plano de negócios caso a regulamentação saia do papel.


domingo, 1 de novembro de 2015

Em creches públicas VIP, bebês têm solário, cinco refeições e até massagem

 
A fila por uma vaga nas 1.828 creches municipais de São Paulo já bate nos 146 mil inscritos. Mas, um privilegiado grupo de 1.300 crianças conseguiu, além de vencer a espera de meses, ficar em uma unidade pública VIP, com direito a massagem, cinco refeições diárias e professores com formação permanente. Ao todo, são 362 unidades de atendimento a bebês de zero a três anos geridas por várias organizações sociais. Na creche Jardim Edite, na zona sul, semanalmente, massagistas do hotel Sheraton fazem shantala nos bebês, técnica indiana para aliviar cólicas e que tem poder de relaxamento nos pequenos. O local conta com enfermeiros, mobiliário desenhado exclusivamente para crianças, participação ativa dos pais nas atividades dos filhos e fornece cinco refeições por dia.
A mantenedora da creche é a organização Liga Solidária, que também administra outras oito unidades, totalizando 1.300 alunos. A instituição afirma aplicar R$ 742 mil por mês nas nove creches. O acesso à unidade é via cadastro único da prefeitura.
"O dinheiro é importante, mas o segredo da qualidade está em uma boa gestão. Só detectar um problema não adianta. É preciso saber como agir diante dele", afirma Nancy Coutinho, coordenadora-geral das unidades.
Em outra creche mantida pela Liga, a Casa da Infância do Menino Jesus, perto da rodovia Raposo Tavares, zona oeste, a arquitetura favorece a integração, a saúde e a segurança dos 260 alunos.
A cada duas salas de aula, que têm no máximo 14 alunos cada, há um banheiro. Além disso, todas as salas —equipadas com livros, aparelho de som e brinquedos— têm acesso direto a um solário. Completa o pacote uma área coletiva de lazer com 200 m², piso emborrachado, triciclos, balanços e jogos.
Pai dos gêmeos João Pedro e Matheus, de dois anos, o comerciante Edson dos Santos, 46, diz que, até hoje, fica "boquiaberto" com o tratamento que os filhos e ele recebem na unidade.
"Procurei creches particulares perto da minha casa [na região do Rio Pequeno] e nenhuma tinha essa estrutura. Até gente de classe média tenta vaga aqui. Gosto também do contato que eles têm com os pais. Ajudam dando dicas de saúde, alimentação", diz.
A busca presencial por vaga na Menino Jesus —504 pedidos até setembro—é maior do que em outras creches públicas da mesma região, como Rio Pequeno (194) e Itaim Bibi (214).
Para "adotar" uma creche, a Secretaria Municipal da Educação exige que a instituição não tenha fins lucrativos —o serviço deve ser gratuito— e não esteja entre os devedores do município. A organização precisa ainda ter ao menos três anos de registro e não ter servidores públicos entre seus dirigentes.
As atividades são monitoradas, e são exigidos relatórios semanais de desempenho, despesas e estoques.
Segundo a secretaria, para atingir a meta de atendimento de 100% da demanda por vagas até 2025, "a parceria com a sociedade civil continuará sendo uma estratégia importante".

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Represas de SP recebem mais chuva que o esperado para o mês


Com o aumento da chuva registrado desde domingo (6) na região Sudeste, todos os seis mananciais de abastecimento administrados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) já superaram o volume hídrico previsto para todo o mês de setembro. Apesar disso, permanece o alerta para o consumo consciente ou a necessidade de a população reduzir o gasto de água.
Crianças aproveitam a chuva para brincar na beira da represa de Guarapiranga, em São Paulo
Crianças aproveitam a chuva para brincar na beira da represa de Guarapiranga, em São Paulo
Foto: FuturaPress
No Sistema Cantareira, o acumulado de chuva desde o dia 1º até as 9h de hoje (11) atingiu 89,5 milímetros (mm), acima da média esperada para os 30 dias deste mês (86,6 mm). A última vez em
que isso havia acontecido foi em março deste ano, quando o acumulado alcançou 206,5 mm para a média estimada de 178 mm.
Nos seis reservatórios do Cantareira, de ontem (10) para hoje (11), o nível de água subiu de 15,6% para 15,7%, segundo o cálculo que leva em conta apenas o volume útil (água captada acima das comportas) e de 12% para 12,2%, na medição que inclui o uso da primeira reserva técnica (água que fica logo abaixo das comportas).
Nos últimos três dias, a água armazenada no Cantareira subiu de 15% para 15,7% da sua capacidade. Ainda assim, o sistema opera com um déficit de 13,6% e, para atingir a superfície das comportas, precisaria receber mais 133,2 bilhões de litros de água.
No Sistema Alto Tietê, o nível subiu de 14,3% para 14,8% da capacidade de operação. A quantidade de chuva nesses primeiros 11 dias de setembro está em 113,4 mm, enquanto o estimado para todos o mês é de 81,8 mm.
No Sistema Guarapiranga, que fica na zona sul da cidade de São Paulo, o nível aumentou de 72,5% para 74,1% e o acumulado de chuva ficou 115 mm. A média prevista para o mês é de 78,3 mm.
Houve aumento de 57,3% para 58,1%, no Alto Cotia, com o acumulado de chuva em 105,6 mm, também superior ao total esperado até o final do mês (84,7 mm).
No Sistema Rio Grande, o nível elevou-se de 85,4% para 85,9%. O total de chuva atingiu 118 mm, enquanto a média do mês estava estimada em 96,9 mm.
A água armazenada chegou a 58,9 mm no Sistema Rio Claro, volume 0,3 ponto percentual maior do que ontem (11). Nesse manancial, já choveu até agora 148,4 mm, também acima da média esperada para o mês (145,5 mm).
Agência Brasil Agência Brasil

quarta-feira, 12 de agosto de 2015


Rios secam e empresas de navegação estimam prejuízos de até R$ 685 milhões

Leandro Prazeres
Do UOL, em Brasília
 
  • João Rosan/Jornal da Cidade de Bauru
    Barcaças na hidrovia Tietê-Paraná (SP) estão paradas desde maio de 2014 Barcaças na hidrovia Tietê-Paraná (SP) estão paradas desde maio de 2014
Empresários da navegação fluvial estão preocupados com os possíveis efeitos das mudanças climáticas no transporte hidroviário no Brasil. Em São Paulo, a estiagem prolongada é apontada como uma das responsáveis pelo fechamento da hidrovia Tietê-Paraná, há mais de um ano.
Levantamentos feitos pelo Sindasp (Sindicato dos Armadores da Navegação Fluvial de São Paulo) e pela Aprosoja-MT (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso) estimam que o fechamento da hidrovia tenha sido responsável por um prejuízo de pelo menos R$ 685 milhões e pela demissão de 1.400 trabalhadores.
A perda é das empresas de transporte e dos produtores rurais.  Na região Norte, o prejuízo ainda não foi calculado. O Brasil tem 27,4 mil quilômetros de rios navegáveis.
  • Governo é criticado por crise na hidrovia Tietê-Paraná
  • Empresários da navegação criticam falta de estudo sobre mudanças climáticas
  • Hidrovias: empresas buscam porto antienchente e barco que navegue na seca
  •  

    Mudanças climáticas podem ser a causa

    Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) da ONU, as mudanças climáticas observadas por cientistas do mundo todo são alterações provocadas pela ação do homem. Elas seriam causadas pelo aumento dos níveis de gases do efeito estufa na atmosfera como a queima de combustíveis fósseis. Essas emissões que causariam um aumento da temperatura do planeta.
    Entre as principais consequências desse fenômeno, estariam a maior ocorrência dos chamados "eventos climáticos extremos" como períodos de seca e cheia prolongadas. Um estudo ainda não publicado realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), mas que foi apresentado em julho deste ano, indica que secas como a observada em São Paulo nos últimos dois anos tendem a ser mais recorrentes, o que poderia ter efeito sobre as condições de navegação nos rios da região.

    Reservatórios de água na Grande SP

    Arte/UOL
    Confira entre quais reservatórios se divide o abastecimento de água na Grande São Paulo
    Raio-x dos sistemas

    Queda de 34% no transporte de grãos

    A hidrovia Tietê-Paraná tem 2.400 quilômetros e é formada pelos rios Tietê e Paraná e pelos lagos artificiais criados por barragens de usinas hidrelétricas entre os Estados de São Paulo e Goiás. Ela é uma das principais vias de escoamento da produção de grãos do Brasil.
    Em 2013, 6,2 milhões de toneladas foram transportadas pela hidrovia. Esse número caiu para 4,1 milhões em 2014, uma queda de 34%.
    No sentido oposto, a produção agrícola do país no mesmo período subiu 2,4%.  Entre 2013 e 2014, a safra de grãos, leguminosas e oleaginosas cresceu de 188,2 milhões para 192,8 milhões de toneladas, segundo o IBGE. 

    Navegação está parada desde maio de 2014

    A redução no volume de cargas transportadas pela hidrovia é atribuída à interrupção da navegação, em vigor desde maio de 2014, feita pela Marinha. Segundo a Capitania Fluvial do Tietê-Paraná, esta é a primeira vez que a navegação na hidrovia é interrompida.
    Segundo a Secretaria de Transportes de São Paulo, a interrupção do tráfego na hidrovia Tietê-Paraná fez com que o transporte que seria feito por ela tivesse de ser feito por rodovias, o que acarretou num aumento de 100 mil viagens de caminhão desde maio do ano passado.

    Entenda quem tem o prejuízo

    O prejuízo de R$ 685 milhões causado pela paralisação da navegação na hidrovia é dividido em duas partes. Desse total, R$ 300 milhões são o resultado das perdas das empresas de transporte que operam na Tietê-Paraná, segundo o Sindasp.
    O restante, R$ 385 milhões, é o prejuízo causado a produtores de soja do Estado de Mato Grosso, principal produtor brasileiro do grão, por conta do aumento nos custos do frete. Especialistas no setor de transporte afirmam que o custo do transporte hidroviário é, em média, 70% mais barato que o transporte por rodovia.
    "O aumento fica nas costas do produtor porque ele acaba tendo que pagar pelo transporte da carga em caminhão, que é mais caro", diz Edeon Vaz, presidente da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Agronegócio, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura.
    Vaz também é coordenador executivo do Movimento Pró-Logística, que integra entidades ligadas ao agronegócio de Mato Grosso.

    Medo sobre o que acontecerá em 2016

    Para o presidente do Sindasp, Edson Palmesan, os empresários do setor estão preocupados com os efeitos das mudanças climáticas no longo prazo. "Eles estão aflitos porque a gente não sabe os impactos que isso vai ter no negócio. Neste ano, tanto as empresas de transporte quanto alguns estaleiros do interior de São Paulo já demitiram 1.400 pessoas. O que vai acontecer se a estiagem se prolongar? Vamos ter que repensar todo o nosso negócio", afirmou.
    "O nosso medo é de que, como o regime de chuvas está instável, se não chover o suficiente para encher os reservatórios, a gente não vai conseguir escoar a produção de grãos de 2016. Aí, o prejuízo vai ser ainda maior", diz Edson Palmesan.   

    Transporte por rios está parado


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    Crise hídrica atinge dezenas de cidades brasileiras364 fotos

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    5.ago.2015 - Funcionário da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) instala toras de madeira entre as adutoras da obra emergencial de transposição de água da Billings (sistema Rio Grande) para a represa Taiaçupeba (sistema Alto Tietê), para evitar a morte de capivaras. Ao menos dois animais morreram após ficarem presos entre as estruturas que estão sendo instaladas ao longo de 11 quilômetros. As estruturas devem servir como pontes para entrada e a saída dos roedores no rio Leia mais Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo

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    sexta-feira, 3 de julho de 2015

    Em 10 horas, SP acumula mais chuva que todo o mês de julho de 2014


    Adriano Vizoni/Folhapress
    Pedestres se protegem da chuva na região central de São Paulo
    Pedestres se protegem da chuva na região central de São Paulo
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    Em dez horas, São Paulo já acumula mais chuva do que todo o mês de julho do ano passado, informou o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da prefeitura, nesta sexta-feira (3).
    Segundo o meteorologista do CGE, Adilson Nazário, das 2h até as 12h desta sexta choveu 32,1 mm. O volume acumulado já supera todo o volume registrado em julho de 2014, quando choveu 29,2 mm.
    A expectativa, segundo o CGE, é que se tenha chuva acima da média esperada para este mês (47,2 mm). Em 2008, segundo o órgão, São Paulo foi o julho mais seco–não houve registro de chuva. No ano seguinte, o CGE registrou o julho mais chuvoso com 149 mm. Os dados são contabilizados desde 1995.
    Uma área de instabilidade vindo do interior do Estado em direção ao litoral paulista e ao Oceano é a responsável pelas fortes pancadas de chuva na cidade, que começou por volta das 2h.
    De acordo com o meteorologista Adilson Nazário, do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da prefeitura, a chuva deve permanecer ao longo do dia com possibilidade de pontos de alagamentos na cidade e elevação do nível de alguns córregos e rios na Grande São Paulo.
    Apesar de intensa, a chuva desta sexta atinge somente parte da região da cabeceira do sistema Cantareira, o maior da Grande São Paulo e em situação mais crítica. Segundo o meteorologista, a chuva é mais predominante na zona oeste e sul da Grande São Paulo e se desloca para o litoral paulista. Nazário destaca ainda que a chuva beneficiou os demais reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo.
    Editoria de Arte/Folhapress
    A temperatura máxima não deve ultrapassar os 19°C. Nos próximos dias, a propagação de áreas de instabilidade mantém o tempo instável com nebulosidade e chuvas mais significativas, o que deve ajudar a amenizar um pouco a estiagem na região metropolitana de São Paulo. No sábado (4) chove moderadamente e mantém as temperaturas baixas: a mínima deve ficar em torno dos 14ºC e a máxima não ultrapassa os 18ºC.
    Já no domingo (5), segundo o meteorologista, uma massa de ar frio e seca de origem polar provoca queda nas temperaturas, principalmente durante a madrugada, quando os termômetros devem registrar média de 10ºC.

    Reprodução
    Clique no mapa e confira o radar da chuva
    Clique no mapa e confira em tempo real o radar da chuva
    TRANSPORTES
    Às 14h, as linhas 3-vermelha e 2-verde do Metrô circulavam com velocidade reduzida e maior intervalo devido à chuva. As linhas da CTPM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) funcionam normalmente.
    ALAGAMENTOS
    A chuva que atinge a região metropolitana de São Paulo deixou a capital paulista em estado de atenção das 6h até as 12h25.
    Ela também causa congestionamento e alagamentos em vários pontos da cidade. Às 15h40, a cidade já havia registrado 20 pontos de alagamentos –5 pontos ainda continuam ativos.
    São eles: na pista central da marginal Tietê, sentido Castello Branco, próximo à ponte Governador Orestes Quércia, conhecida como Estaiadinha; na avenida Inajar de Souza, sentido Freguesia do Ó, próximo à rua Edmundo Krug (zona norte); na rua do Glicério, próximo à rua Oscar Cintra Godinho; na avenida Vital Brasil, sentido centro, próximo à avenida Francisco Morato (zona oeste); e na avenida Nossa Senhora do Sabará, sentido centro, próximo à avenida Interlagos (zona sul) Todos os pontos são transitáveis.
    ACIDENTES
    Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a chuva também causou acidentes e deixou o trânsito acima da média durante o período da manhã.
    Às 10h30, a CET registrou pico de congestionamento: 127 km de lentidão –o que corresponde a 14,6% dos 868 km vias monitoradas. O índice para o horário é de 12%.
    Às 14h, o sistema de monitoramento da CET apontou apenas 59 km de congestionamento nos 868 km de vias monitoradas no município –o equivalente a 6,8% deixando o índice acima da média para o horário (4,7%). A pior região é a zona oeste com 27 km de morosidade.
    Um engavetamento envolvendo seis caminhões interditou duas das quatro faixas da pista expressa da marginal Tietê, no sentido da rodovia Castello Branco, próximo à ponte da Casa Verde, na zona norte de São Paulo por volta das 5h.
    Segundo a CET, por volta das 7h50, as faixas foram liberadas para os motoristas, mas ainda havia 12 km de lentidão, que se estendia da ponte da Casa Verde até a ponte Imigrante Nordestina, na zona leste da capital paulista. Não houve feridos.
    Um outro acidente foi registrado no viaduto Grande São Paulo, sentido Vila Prudente. Um caminhão tombou e interditou uma das faixas, que foi liberada no final da manhã.