quarta-feira, 12 de agosto de 2015


Rios secam e empresas de navegação estimam prejuízos de até R$ 685 milhões

Leandro Prazeres
Do UOL, em Brasília
 
  • João Rosan/Jornal da Cidade de Bauru
    Barcaças na hidrovia Tietê-Paraná (SP) estão paradas desde maio de 2014 Barcaças na hidrovia Tietê-Paraná (SP) estão paradas desde maio de 2014
Empresários da navegação fluvial estão preocupados com os possíveis efeitos das mudanças climáticas no transporte hidroviário no Brasil. Em São Paulo, a estiagem prolongada é apontada como uma das responsáveis pelo fechamento da hidrovia Tietê-Paraná, há mais de um ano.
Levantamentos feitos pelo Sindasp (Sindicato dos Armadores da Navegação Fluvial de São Paulo) e pela Aprosoja-MT (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso) estimam que o fechamento da hidrovia tenha sido responsável por um prejuízo de pelo menos R$ 685 milhões e pela demissão de 1.400 trabalhadores.
A perda é das empresas de transporte e dos produtores rurais.  Na região Norte, o prejuízo ainda não foi calculado. O Brasil tem 27,4 mil quilômetros de rios navegáveis.
  • Governo é criticado por crise na hidrovia Tietê-Paraná
  • Empresários da navegação criticam falta de estudo sobre mudanças climáticas
  • Hidrovias: empresas buscam porto antienchente e barco que navegue na seca
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    Mudanças climáticas podem ser a causa

    Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) da ONU, as mudanças climáticas observadas por cientistas do mundo todo são alterações provocadas pela ação do homem. Elas seriam causadas pelo aumento dos níveis de gases do efeito estufa na atmosfera como a queima de combustíveis fósseis. Essas emissões que causariam um aumento da temperatura do planeta.
    Entre as principais consequências desse fenômeno, estariam a maior ocorrência dos chamados "eventos climáticos extremos" como períodos de seca e cheia prolongadas. Um estudo ainda não publicado realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), mas que foi apresentado em julho deste ano, indica que secas como a observada em São Paulo nos últimos dois anos tendem a ser mais recorrentes, o que poderia ter efeito sobre as condições de navegação nos rios da região.

    Reservatórios de água na Grande SP

    Arte/UOL
    Confira entre quais reservatórios se divide o abastecimento de água na Grande São Paulo
    Raio-x dos sistemas

    Queda de 34% no transporte de grãos

    A hidrovia Tietê-Paraná tem 2.400 quilômetros e é formada pelos rios Tietê e Paraná e pelos lagos artificiais criados por barragens de usinas hidrelétricas entre os Estados de São Paulo e Goiás. Ela é uma das principais vias de escoamento da produção de grãos do Brasil.
    Em 2013, 6,2 milhões de toneladas foram transportadas pela hidrovia. Esse número caiu para 4,1 milhões em 2014, uma queda de 34%.
    No sentido oposto, a produção agrícola do país no mesmo período subiu 2,4%.  Entre 2013 e 2014, a safra de grãos, leguminosas e oleaginosas cresceu de 188,2 milhões para 192,8 milhões de toneladas, segundo o IBGE. 

    Navegação está parada desde maio de 2014

    A redução no volume de cargas transportadas pela hidrovia é atribuída à interrupção da navegação, em vigor desde maio de 2014, feita pela Marinha. Segundo a Capitania Fluvial do Tietê-Paraná, esta é a primeira vez que a navegação na hidrovia é interrompida.
    Segundo a Secretaria de Transportes de São Paulo, a interrupção do tráfego na hidrovia Tietê-Paraná fez com que o transporte que seria feito por ela tivesse de ser feito por rodovias, o que acarretou num aumento de 100 mil viagens de caminhão desde maio do ano passado.

    Entenda quem tem o prejuízo

    O prejuízo de R$ 685 milhões causado pela paralisação da navegação na hidrovia é dividido em duas partes. Desse total, R$ 300 milhões são o resultado das perdas das empresas de transporte que operam na Tietê-Paraná, segundo o Sindasp.
    O restante, R$ 385 milhões, é o prejuízo causado a produtores de soja do Estado de Mato Grosso, principal produtor brasileiro do grão, por conta do aumento nos custos do frete. Especialistas no setor de transporte afirmam que o custo do transporte hidroviário é, em média, 70% mais barato que o transporte por rodovia.
    "O aumento fica nas costas do produtor porque ele acaba tendo que pagar pelo transporte da carga em caminhão, que é mais caro", diz Edeon Vaz, presidente da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Agronegócio, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura.
    Vaz também é coordenador executivo do Movimento Pró-Logística, que integra entidades ligadas ao agronegócio de Mato Grosso.

    Medo sobre o que acontecerá em 2016

    Para o presidente do Sindasp, Edson Palmesan, os empresários do setor estão preocupados com os efeitos das mudanças climáticas no longo prazo. "Eles estão aflitos porque a gente não sabe os impactos que isso vai ter no negócio. Neste ano, tanto as empresas de transporte quanto alguns estaleiros do interior de São Paulo já demitiram 1.400 pessoas. O que vai acontecer se a estiagem se prolongar? Vamos ter que repensar todo o nosso negócio", afirmou.
    "O nosso medo é de que, como o regime de chuvas está instável, se não chover o suficiente para encher os reservatórios, a gente não vai conseguir escoar a produção de grãos de 2016. Aí, o prejuízo vai ser ainda maior", diz Edson Palmesan.   

    Transporte por rios está parado


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    Crise hídrica atinge dezenas de cidades brasileiras364 fotos

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    5.ago.2015 - Funcionário da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) instala toras de madeira entre as adutoras da obra emergencial de transposição de água da Billings (sistema Rio Grande) para a represa Taiaçupeba (sistema Alto Tietê), para evitar a morte de capivaras. Ao menos dois animais morreram após ficarem presos entre as estruturas que estão sendo instaladas ao longo de 11 quilômetros. As estruturas devem servir como pontes para entrada e a saída dos roedores no rio Leia mais Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo

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    sexta-feira, 3 de julho de 2015

    Em 10 horas, SP acumula mais chuva que todo o mês de julho de 2014


    Adriano Vizoni/Folhapress
    Pedestres se protegem da chuva na região central de São Paulo
    Pedestres se protegem da chuva na região central de São Paulo
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    Em dez horas, São Paulo já acumula mais chuva do que todo o mês de julho do ano passado, informou o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da prefeitura, nesta sexta-feira (3).
    Segundo o meteorologista do CGE, Adilson Nazário, das 2h até as 12h desta sexta choveu 32,1 mm. O volume acumulado já supera todo o volume registrado em julho de 2014, quando choveu 29,2 mm.
    A expectativa, segundo o CGE, é que se tenha chuva acima da média esperada para este mês (47,2 mm). Em 2008, segundo o órgão, São Paulo foi o julho mais seco–não houve registro de chuva. No ano seguinte, o CGE registrou o julho mais chuvoso com 149 mm. Os dados são contabilizados desde 1995.
    Uma área de instabilidade vindo do interior do Estado em direção ao litoral paulista e ao Oceano é a responsável pelas fortes pancadas de chuva na cidade, que começou por volta das 2h.
    De acordo com o meteorologista Adilson Nazário, do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da prefeitura, a chuva deve permanecer ao longo do dia com possibilidade de pontos de alagamentos na cidade e elevação do nível de alguns córregos e rios na Grande São Paulo.
    Apesar de intensa, a chuva desta sexta atinge somente parte da região da cabeceira do sistema Cantareira, o maior da Grande São Paulo e em situação mais crítica. Segundo o meteorologista, a chuva é mais predominante na zona oeste e sul da Grande São Paulo e se desloca para o litoral paulista. Nazário destaca ainda que a chuva beneficiou os demais reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo.
    Editoria de Arte/Folhapress
    A temperatura máxima não deve ultrapassar os 19°C. Nos próximos dias, a propagação de áreas de instabilidade mantém o tempo instável com nebulosidade e chuvas mais significativas, o que deve ajudar a amenizar um pouco a estiagem na região metropolitana de São Paulo. No sábado (4) chove moderadamente e mantém as temperaturas baixas: a mínima deve ficar em torno dos 14ºC e a máxima não ultrapassa os 18ºC.
    Já no domingo (5), segundo o meteorologista, uma massa de ar frio e seca de origem polar provoca queda nas temperaturas, principalmente durante a madrugada, quando os termômetros devem registrar média de 10ºC.

    Reprodução
    Clique no mapa e confira o radar da chuva
    Clique no mapa e confira em tempo real o radar da chuva
    TRANSPORTES
    Às 14h, as linhas 3-vermelha e 2-verde do Metrô circulavam com velocidade reduzida e maior intervalo devido à chuva. As linhas da CTPM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) funcionam normalmente.
    ALAGAMENTOS
    A chuva que atinge a região metropolitana de São Paulo deixou a capital paulista em estado de atenção das 6h até as 12h25.
    Ela também causa congestionamento e alagamentos em vários pontos da cidade. Às 15h40, a cidade já havia registrado 20 pontos de alagamentos –5 pontos ainda continuam ativos.
    São eles: na pista central da marginal Tietê, sentido Castello Branco, próximo à ponte Governador Orestes Quércia, conhecida como Estaiadinha; na avenida Inajar de Souza, sentido Freguesia do Ó, próximo à rua Edmundo Krug (zona norte); na rua do Glicério, próximo à rua Oscar Cintra Godinho; na avenida Vital Brasil, sentido centro, próximo à avenida Francisco Morato (zona oeste); e na avenida Nossa Senhora do Sabará, sentido centro, próximo à avenida Interlagos (zona sul) Todos os pontos são transitáveis.
    ACIDENTES
    Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a chuva também causou acidentes e deixou o trânsito acima da média durante o período da manhã.
    Às 10h30, a CET registrou pico de congestionamento: 127 km de lentidão –o que corresponde a 14,6% dos 868 km vias monitoradas. O índice para o horário é de 12%.
    Às 14h, o sistema de monitoramento da CET apontou apenas 59 km de congestionamento nos 868 km de vias monitoradas no município –o equivalente a 6,8% deixando o índice acima da média para o horário (4,7%). A pior região é a zona oeste com 27 km de morosidade.
    Um engavetamento envolvendo seis caminhões interditou duas das quatro faixas da pista expressa da marginal Tietê, no sentido da rodovia Castello Branco, próximo à ponte da Casa Verde, na zona norte de São Paulo por volta das 5h.
    Segundo a CET, por volta das 7h50, as faixas foram liberadas para os motoristas, mas ainda havia 12 km de lentidão, que se estendia da ponte da Casa Verde até a ponte Imigrante Nordestina, na zona leste da capital paulista. Não houve feridos.
    Um outro acidente foi registrado no viaduto Grande São Paulo, sentido Vila Prudente. Um caminhão tombou e interditou uma das faixas, que foi liberada no final da manhã.

    domingo, 28 de junho de 2015

    Ciclovia é um "símbolo de qualidade de vida", diz Haddad

    Pistas exclusivas para bicicletas foram inauguradas neste domingo 

    A ciclovia da Avenida Paulista foi inaugurada na manhã deste domingo (28/6) em uma cerimônia que contou com a presença do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e do secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto. Por volta das 10h, a via foi interditada ao trânsito nos dois sentidos. Os bloqueios podem ir até as 17h.
    O prefeito disse que a ciclovia é um "símbolo de qualidade de vida". Ele justificou o fechamento da Avenida Paulista para o evento dizendo que o espaço "é público".  Jilmar Tatto respondeu que o fechamento da via nos finais de semana  ainda está em estudo. “A intenção da ciclovia é abrir a Avenida Paulista para todo mundo, não só para carros, mas também para pedestres e veículos não motorizados”, explicou o secretário.
    Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad pedala na Av. Paulista
    Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad pedala na Av. Paulista
    Durante a coletiva, o prefeito enfrentou protestos de pessoas contrárias ao PT, que gritavam frases contra ele e a presidente Dilma Rousseff. Simpatizantes do prefeito o defenderam gritando contra o grupo.
    Um pouco antes da inauguração, por volta das 9h, ciclistas já pedalavam na ciclovia. Grupos chegavam à avenida para acompanhar a abertura e algumas pessoas carregavam balões brancos. Bicicletas foram colocadas em alguns pontos da via para lembrar os ciclistas mortos.
    No mesmo horário, funcionários da Prefeitura limpavam um trecho da pista, na altura do prédio da Fiesp, manchada com tinta azul, que foi  jogada na ciclovia. Não havia informações sobre o responsável pelo ato de vandalismo.
    O secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita, foi até a Avenida Paulista para a inauguração. Ele acredita que a ciclovia é uma iniciativa que demora até as pessoas se acostumarem, até por isso há muitas críticas. “A juventude olha com bons olhos essas novidades e quer se apropriar dos espaços da cidade. Os jovens nem querem ter carro.” O ex-senador Eduardo Suplicy, secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, também foi pedalar na nova ciclovia.
    Com 2,7 km de extensão e construída no canteiro central, a pista exclusiva está entre a Praça Oswaldo Cruz e a Avenida Angélica. A ciclovia tem quatro metros de largura e fica a uma altura de 18 cm em relação às faixas de rolamento ao seu lado.
    Devido ao alargamento do canteiro central, as faixas das duas pistas, tanto no sentido Consolação quanto no sentido Brigadeiro, precisaram ser reajustadas e diminuíram a largura de 3 metros para 2,8 metros. Já a faixa de ônibus, à direita da pista, perdeu 20 centímetros, passando de 3,5 metros para 3,3 metros.
    A obra, que durou quase cerca de seis meses, custou R$ 12,2 milhões, no trecho entre as avenidas Paulista e Bernardino de Campos, incluindo a instalação de dutos para a passagem de fibra ótica sob a pista.
    "Nós aumentamos o espaço de pedestres no canteiro central. O pedestre tem o tempo semafórico. Se ele ficar no canteiro central, tem uma ilha de segurança que nós aumentamos”, afirmou o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto. “Fizemos o recuo para pedestre, para o ciclista, tiramos os relógios por questão de segurança”, disse.
    A construção de ciclovias é uma das principais marcas da gestão do prefeito Fernando Haddad (PT), que pretende entregar 400 km de vias exclusivas para ciclistas até o fim deste ano. Atualmente, a cidade possui 298,6 km de ciclovias, sendo 238,3 km somente da gestão do prefeito Haddad. Com as inaugurações deste domingo, São Paulo tem 307,4 km de ciclovias.
    Tags: ciclovia, fechamento, prefeito, são paulo, Trânsito

    sexta-feira, 29 de maio de 2015

    Tamanduá é abandonado no parque Ibirapuera (SP)

    Noelle Marques
    Do UOL, em São Paulo
    • SVMA/Fauna
      Funcionário exibe filhote de tamanduá que foi abandonado no parque Ibirapuera Funcionário exibe filhote de tamanduá que foi abandonado no parque Ibirapuera
    Um filhote de tamanduá foi abandonado nesta semana no parque Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. O animal de três meses de vida e 2,2 kg foi encontrado dentro de uma caixa de papelão, que estava próxima ao portão oito do parque.
    Segundo a Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, o filhote foi encaminhado para o Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres (Cemacas), que fica localizado no Parque Anhanguera, onde passou por exames e está tratando alguns ferimentos. Não foi informado para onde o animal será levado após se recuperar.
    O tamanduá não é encontrado naturalmente na cidade de São Paulo.
    O abandono de animais é considerado crime ambiental, previsto no artigo 32 da Lei federal 9.605/98 de Crimes Ambientais, com pena de três meses a um ano de detenção, além de multa.
    A Divisão de Fauna do Parque Ibirapuera, que desenvolve ações de proteção e conservação da fauna silvestre, recebe animais silvestres de segunda a quinta-feira, das 8h às 16h, e as sextas-feiras, das 8h às 12h, na avenida IV Centenário, no portão 7A.
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    Veja fotos de filhotes fofos200 fotos

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    28.mai.2015 - Um filhote de sagui-imperador senta no ombro de um tratador no zoológico Schoenbrunn, em Viena, Áustria Ronald Zak/AP

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    segunda-feira, 11 de maio de 2015

    Consultas em unidades de saúde de São Paulo caíram 21% em 2014


    Saindo do centro de SP, fora do rush, um médico que trabalha na unidade de saúde Castro Alves, em Cidade Tiradentes, dirigirá mais de uma hora para atravessar a zona leste. Passará por favelas, ruas com esgoto a céu aberto e até um pasto com vacas. Ao chegar, não se sentirá seguro: queixas de assaltos ou agressões não são raras.
    O roteiro ajuda a explicar por que não havia pediatra nesse posto em 91% dos dias do ano passado. Mais do que isso, reflete parte do problema por trás da redução de atendimentos básicos de saúde na cidade no ano passado.
    O número de consultas nas AMAs 12 horas (unidades que prestam assistência médica ambulatorial, casos menos complexos) caiu 21% em 2014, no segundo ano de mandato de Fernando Haddad (PT) –foram 5,8 milhões, ante 7,3 milhões no ano anterior.
    A principal explicação da prefeitura e de entidades é a falta de médicos, mas também há questionamentos sobre a redução de verbas.

    Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
    Silvana Ferreira, 39, reclama da falta de médicos na AMA
    Silvana Ferreira, 39, reclama da falta de médicos na AMA
    Marca do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) na área da saúde, essas 98 AMAs funcionam das 7h às 19h, de segunda a sábado, e são administradas por convênios ou contratos da prefeitura com as chamadas organizações sociais de saúde (OSS).
    Elas são uma porta de entrada do SUS e servem como "peneira", para desafogar os prontos-socorros, dispensando os casos mais simples –tendo função diferente das AMAs 24 horas, que atendem urgência e emergência.
    Editoria de Arte/Folhapress
    O atendimento é voltado à atenção básica, assim como nas Unidades Básicas de Saúde municipais, que fazem consulta com hora marcada.
    Mesmo nas UBSs a situação não é animadora. A quantidade de consultas em 2014 se manteve praticamente estável -elas variaram de 7,98 milhões para 7,99 milhões.
    O próprio secretário da Saúde, José de Filippi Júnior, porém, aponta a precariedade. Diz que deveria haver 600 UBSs, mas existem 450. "Só que 200 delas não merecem esse nome. Deveriam se chamar CBS, casinhas básicas de saúde", afirma, referindo-se ao número insuficiente de consultórios e profissionais.
    RECURSOS
    Tanto a gestão Haddad como as entidades atribuem a queda de 1,5 milhão de consultas à falta de médicos –um problema histórico.
    Mas há também um impasse recente entre as partes que pode ter agravado a situação.
    As organizações sociais se queixam de atrasos e cortes de até 30% de recursos da prefeitura. Dizem que isso teve reflexo na captação de equipes.
    Já a gestão Haddad alega que isso é motivado pelo não cumprimento de meta das organizações, que deixam de usar parte dos repasses ao não contratar médicos e, por isso, sofrem descontos. A prefeitura diz que, em 2014, mais de R$ 100 milhões não foram gastos por falta de contratação de equipes pelas entidades.
    Nas eleições municipais, parte do PT defendeu a eliminação dessas parcerias na saúde, alegando que são custosas e com fiscalização frágil.
    Mas Haddad prometeu mantê-las. Há alguns meses, ele reformulou os contratos com as OSS: antes, previam meta de atendimento, mas não uma equipe mínima; agora, é necessário atender também ao segundo requisito.
    Essas AMAs deveriam ter equipe médica com dois clínicos, dois pediatras, um cirurgião geral ou ginecologista, enfermeiros e técnicos.
    Na Castro Alves, pacientes saíam reclamando da falta de médicos na última quarta (6). "Nunca tem médico! Por que uns podem [ter acesso a tratamento de saúde] e outros não?", criticou a dona de casa Silvana Ferreira, 39.

    quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

    Marta Suplicy e o PMDB

    29/1/2015 9:36
    Por Leandro Mazzini - de Brasília


    Com a metralhadora giratória verbal na ativa, com o PT como alvo, a senadora e ex-ministra Marta Suplicy está a um passo de se filiar ao PMDB para se lançar candidata à Prefeitura de São Paulo ano que vem. Convites sobram de outros partidos da base e oposição ao governo. Ela ainda não decidiu.

    Rep/ACS
    O convite do PMDB partiu da direção regional do partido, embora às claras não tenha o aval do vice-presidente da República – e manda-chuva do PMDB – Michel Temer, aliadíssimo do PT e da presidente Dilma, os alvos figadais de Marta.
    Revoltada com a atual situação do PT (em especial no noticiário negativo e nos desmandos do governo), a ex-prefeita paulistana, ao mirar a legenda que ajudou a fundar e ainda a acolhe, dá sinais de que a insatisfação é apenas o passo inicial para a debandada de seu pequeno séquito para outro partido. E que, alijada do governo Dilma, é capaz hoje de trilhar sozinha seu caminho sem as bênçãos do PT e do ex-presidente Lula, a quem admira e defende, conforme entrevista recente ao Estadão.
    Ex-prefeita de São Paulo não reeleita, Marta tem um significativo potencial de votos na capital paulista, o mesmo que a levou ao Senado Federal em 2010. Tem pouco a perder: seu mandato eletivo na Casa Alta vai até 2019, e uma vez candidata, independentemente do partido, mesmo que eventualmente não vença a eleição, ela mantém o nome na vitrine no maior PIB brasileiro e no mais importante reduto eleitoral do País.
    Mas uma recente movimentação política na capital, que envolve especialmente o PMDB, pode ser um entrave num eventual projeto de Marta se filiar ao PMDB e se candidatar. Gabriel Chalita, o quadro mais provável do PMDB para uma candidatura municipal, aliou-se ao prefeito Fernando Haddad (PT) como secretário de Educação. Os sinais são claros: É incoerente um secretário recém-empossado e a um ano da eleição se lançar contra o atual prefeito. O próximo ano pode evidenciar outro pré-acordo: Chalita é potencial candidato a vice na chapa de reeleição de Haddad, o que, obviamente, inviabilizaria uma candidatura de Marta.
    Os próximos meses mostrarão quando Marta vai se desarmar, parar de atirar e concentrar-se num projeto político pessoal, independentemente do partido que escolher. Sua saída do PT é considerada inevitável por suas recentes declarações.
    Procurada através de sua assessoria, Marta não se pronunciou. 
    O Caso Alírio
    Já está na mesa do juiz o processo tramitado na 5ª Vara Fazendária em que o MP do Distrito Federal denuncia um deputado, o presidente da OAB local e a esposa do ministro do STF Dias Toffoli por um prejuízo de R$ 25 milhões, em valores de hoje.
    São réus na ação o deputado distrital Alírio Neto, o presidente da OAB Ibañeis Rocha, e a procuradora da Câmara Legislativa do DF Roberta Maria Rangel, entre outros.
    O MP viu irregularidades no pagamento de juros e correção monetária a “centenas de servidores, ex-servidores e pensionistas” da Câmara Legislativa, referentes a perdas salariais na conversão do URV para o Real em 1994. A Câmara desembolsou pagamentos em 2008 aos servidores após pleito da Associação dos Servidores da Câmara – a ASSECAM. Foi na gestão de Alírio, com parecer da procuradora e o advogado da ASSECAM era o agora presidente da OAB, que foi remunerado em mais de R$ 3,3 milhões.

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    Com Equipe DF e SP